domingo, 30 de outubro de 2011

Nesse novembro.


Nada mais turbulento que uma mente de uma mulher cuja idade se aproxima de seus 33 anos. Inventários. Sopros catatônicos. Mesmices alvorecidas pela ansiedade. Tudo. Faltam 10 dias.

Entrei ou saí do tal Saturno?

A resposta vai depender para quem eu pergunto. Umas certas respostas não serão simples.

O fato é que, as tais revoluções aconteceram. Cataclismos sensoriais, choros e risos. Estes vieram juntos. Nem um primeiro, nem depois o outro. Tudo.

Sei não, se aqui, a sandice fez da estação um lugar de parada. Tenho a sincera impressão que sim. 

E veja que nada disso se deve pela idade em si. Mas é bem verdade que de tempos em tempos esta tal esquizofrenia por mudança se instala. Acho bom. Evita a repetição.

Não sei o que acham os que estão em volta. Mas não são pegos sem aviso. A coisa não vem assim, ao léu. Tem um certo crescente. Uma certa cadencia. Mesmo que o movimento sejam fluxos que vão e vem ao epicentro. Não na mesma ordem, nem mesmo na mesma frequência. Mas estão lá. Revelam, a quem está atento, o que vem.

E dura, viu! Dura um tempo que a mim parece que vou morrer. Sério, sem dramas. Apesar de ser talentosa anfitriã desse gênero. A sensação de quase morte faz parte do pacote. Depois que passa é até bom. Mas eu sinto mesmo que vou morrer. E num é que morro? Eu morro. Morri dia desses.

Descabelada. Dentes afiados. Unhas carcomidas. E uma língua bem grande pra fora a espantar quem duvidasse da tal morte. Se não me deixassem morrer eu matava. Ah, usava uns gritos também, quase um dialeto, dando uma ar de possessão para garantir que eu pudesse morrer, afinal.

Da primeira vez que isso me aconteceu, que eu tenha percebido, eu tinha sete anos. Acho que antes raramente se identifica-se como gente, né! Também durou um ano. Algo assim.

Depois tornou a acontecer lá por volta dos 13 anos. Mas aí, quase não me deram a considerada relevância, afinal, adolescentes são reivindicantes de sua identidade. E eu, claro, queria a minha. Virei vegetariana. Já não tomava refrigerantes mesmo. E desenhava umas coisas. Psicodelia pura. Só.
Gente chegada a antroposofia, diz ser os tais sextenios. Tenho minhas duvidas. Outros dizem ser o tal saturno. Mas vou te contar que esse aí me adora.

De fato voltou a ocorrer novamente lá pelos 21 anos. Mas, olhe, esse durou, hein. Foi até os 24. Coisa de loco. Mudou tudo. Mas como foram produtivos esses anos. Faculdade. Jornalismo. Cinema. Banda. Arte por toda parte. Ah, e radicalizei novamente na alimentação. Dessa vez, virei vegan. Ë nada de leite, ovos, nada que viesse de animais. Lembra, já não comia carne?

No final da revolução eu havia decidido me mudar. Sei lá pra onde. Só queria. Fui então para o tal lugar que os amigos cariocas/fluminenses sempre disseram ser minha verdadeira origem: São Paulo. Eu particularmente não sei porque. Nem parente eu tenho aqui.

Mas eu vim.

Duvido que você pense que foram anos pacatos? Você tem razão se pesou que de vez abracei a revolução. Guardei debaixo do travesseiro. Tinha cafuné, não. Era, e é, uma relação de identidade dupla.

E aí, passado oito anos. Guardada debaixo do travesseiro. Aninhada, quentinha, a revolução, deu filhotes.

Pegou o rabo do final do mestrado. Acumulo de acontecimentos. Gente por toda a parte. Igual centrifuga galáctica mexeu tudo. E soltou no tabuleiro.

Meio rodopiando. Morri. E foi demais.

Irritantemente mais autentica que antes, a isso posso atribuir então o fator idade, me percebi querendo coisas novas. Mais uma vez desejava regalos de identidade.

Sempre percebi que no boom de determinados movimentos que gente resolve agrupar, vez ou outra, ou na maioria, tudo acaba por estar tudo igual. E essa pasteurização,  definitivamente, não posso suportar. Se nem leite pasteurizado eu tomo. Que dirá permitir que me identifiquem por algo que virou fast food.

Por isso eu confundo. É melhor. Mas esse efeito é garantindo para quem olha de longe. Pode-se dizer ser até um convite para chegar mais perto. Quem olha de perto eu posso garantir a volúpia de ser ver de perto alguém que se constrói e desconstrói irremediavelmente. E, de verdade, isso não é melhor, nem pior. Só um jeito de viver.

Então eu morri. De novo aos quase 33. Faltam 10 dias. Mas por esses dias não ha mais morte. O tal Saturno já virou amigo. E agora, é tudo novo de novo. E como diz o poeta Nando Reis ‘é bom olhar pra traz e ver a vida que soubemos fazer’.

4 comentários:

Karine disse...

Fantástico, Sabrina!^^

Livia Rosa disse...

Amei! Magnífico!

Gopi Yana disse...

Sabrinitaaaa.... depois do saturno vem um cara chamado Plutão ui ui ui esse sim é de matar.... lindo texto. adorei. beijodagopi

Eliane Mortaes disse...

Nossa demais querida.. bjs Eliane Moraes...

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