segunda-feira, 5 de agosto de 2013

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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Repostagem > Do que é feito a feminilidade, afinal?

Em final de crise de "escrevinhadura", ao menos suponho, faço uma respostagem aqui de um assunto que me é de muito interesse. Vou tentar fazer uma série de reflexões sobre esse tema.Então começo com esse post publicado originalmente no Blogueiras Feministas.


Do que é feito a feminilidade, afinal?


Acho necessário que ativistas e/ou pessoas que se encontram dentro de movimentos (sociais, culturais), grupos, religiões, partidos, grupos de amigos, família…etc etc, estejam o tempo todo prontos para a desconstrução. Porque vira e mexe é proposto que você saia do seu lugar confortável para olhar melhor a outra pessoa, fazer concessões, abrir o círculo, fechar.
A tensão nesses casos é perfeita pra evitar ficar falando para iguais. Do contrário, o nome disso é eco. Porque, vou te dizer, permanecer assim, meu bem, vira clubinho fechadinho e a tal pseudo-revolução proposta, fica no máximo em volta do próprio umbigo. E você sabe o que isso dá, né? (dor de barriga! ;-)) Irremediavelmente alguém pode ouvir falar da proposta por somente se identificar, sendo que, xs outrxs, podem no máximo, supor. Chato isso pra chuchu. E tem um montão de gente assim. E se vê isso em vários movimentos/propostas muito legais. O que é uma pena, claro! Eu chamo de bolhudos/bolhudas ou como recentemente eu prefiro: bolhudxs! Com o ‘X’ mesmo.
Bom, então de onde eu vou falar para questionar/revisitar/duvidar/construir essa tal feminilidade? Vou falar a partir do grupo/movimento que fiz parte. Isso mesmo, FIZ do verbo NÃO FAÇO MAIS. Que é/são os chamados “círculos de mulheres” e “Resgate ( muitas interrogações aqui – ?????) do Sagrado Feminino”. Acho que não carece aqui de linkar com nada em especial, porque a net é uma parque de diversão e, facilmente quem colocar essas palavras aí no google, irão encontrar zilhões de possibilidades. E outra que não estou afim de endossar ninguém, muito menos que amigxs (amigxs, sim) que ainda continuam nesse movimento/grupos se sintam ofendidxs.
Como tudo começou: o clã dos ciclos sagrados
A história começa assim: Eu nasci em uma família, bem bacana. Rodeada de mulheres portuguesas bem fortonas porque, sinceramente, não lhes foi dada outra alternativa. Elas tinham que se virar mesmo, porque os homens estavam em outro país tentando a sorte, ou cavando o azar, vai saber. Elas tinham uma forma peculiar de cultivar a ‘espiritualidade’. Uma espécie de culto doméstico, com muitas mesclas de coisas que já ouvimos falar e de outras que até hoje eu não sei exatamente de onde é.
O fato é que elas não dependiam do ‘pároco/padre’ da cidade pra nada. Nem de médicos (aqui vai permanecer o masculino do gênero mesmo, porque sempre foram maioria principalmente no quesito ‘corpo das mulheres’. Uma hora volto nesse assunto). Muitas pessoas das cidades onde elas moravam as procuravam para que pudessem auxiliar nos mais diversos assuntos.
Cresci, por sorte a minha, sabendo dar conta da minha saúde, da minha sexualidade, das minhas dúvidas dialéticas, filosóficas e existenciais. E em parte, por ser EU, eu mesma, questionar me é um dom. E desde que me dei conta que eu era gente, me solidarizo com pessoas, animais e causas. E tinha uma em particular, que me levou a criar um grupo, era o das mulheres. Sob todos os aspectos.
Porque eu me achava sortuda por saber da minha sexualidade sem tabus, sobre como gerenciar e me auto-gestionar ginecologicamente longe das maleditas doutrinas médicas de saúde e domesticação do corpo. Eu supus que ‘deveria’ avisar a outras mulheres o caminho das pedras. Mas quero ressaltar aqui que, nunca em hipótese alguma, mesmo quando às vezes eu reproduzia algum discurso (sim, já fiz isso, também) eu pretendia mulheres dependentes, ou seja, que dependessem de mim ou do que eu dizia/ensinava/partilhava para se construir. Justamente ao contrário. Sempre tive pavor a dependências. Principalmente que alguém dependa de mim. Ui, tenho horror.
Bom, daí que eu criei um grupo/trabalho chamado “Clã dos Ciclos Sagrados”. Naquele momento achei que o lugar mais adequado, ou melhor, o ponto de vista mais interessante para ‘avisar às mulheres o caminho das pedras’ era o ‘movimento de círculos de mulheres’. Achei que era o mais inclusivo porque propunha uma troca ‘circular’, ou seja, não era hierárquico. Todas estariam equidistantes do centro. Era impressão que eu tinha naquele momento. Até acreditei durante muito tempo que era mesmo.

Foto de Life As Art no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
Entendendo e aceitando as subjetividades
A abordagem que eu fazia era além do que é proposto biologicamente às mulheres cissexuais, que pudéssemos abrir o questionamento à vida de forma cíclica. Ora, e isso vai além do que se pode entender/vivenciar/construir dos ciclos das mulheres (cis) como a menstruação, gestação/parto e menopausa. Pode ir até a compreensão de que cada pessoa individualmente irá experimentar as suas estações pessoais. Poha, isso é vida. Era uma forma de entender que nem todo o tempo estamos felizes e que nem todo o tempo estamos tristes e que nem todo tempo somos ótimxs, quem nem todo tempo somos estupidxs, e que TUDO BEM.
Pronto, era para entender nossas subjetividades e aceitá-las, porque a indústria da felicidade mentia para gente. Era para entender que cada corpo era um corpo e, que a indústria da medicalização pretendia docilizar os corpos tratando-os sempre como iguais e/ou doentes. E isso também é uma grande mentira. Nem nossos corpos são iguais muito menos a experiência que temos com/a partir deles é igual. Era pra entender que mesmo nas religiões institucionalizadas onde as mulheres nunca, ou raramente, chegam em altos cargos, mesmo sendo maioria, poderiam ser protagonistas das próprias crenças. Daí, você deve estar pensando. Garota metida, essa aí, ela queria só isso? Tábom!
Eu falava, ou pelo menos pretendia, para as mulheres cissexuais (e só recentemente eu soube que falava para elas porque tenho aprendido sobre esse termo/conceito). Mas também, ou de novo — pretendia, falar para as mulheres cissexuais lésbicas. Eu queria, muito, que se sentissem incluídas. Mas ficaria mais feliz ainda que eu estivesse dando conta também de alcançar as que ora, eram hétero, ora eram lésbicas, ora eram assexuais whatever. Eu queria que TODAS se sentissem incluídas.
Porém, reconheço que minha abordagem na qual eu convocava as mulheres não deixava claro que se mulheres trans* também quisessem fazer parte, poderiam. Até porque eu falava de menstruação MUITAS vezes, ou a maior parte das vezes, como mote para todo o resto. Bom, nem por isso eu deixava claro que homens trans* também seriam bem-vindxs. Mas, sinceramente, eu não tinha bagagem para ser inclusiva a esse ponto. Não naquele momento.
Bom, para toda essa proposta eu fazia grupos de estudo. Além de encontros nas mudanças de estação e seguindo as luas, porque era para se ter a oportunidade de entender que a vida tinha altos e baixos e que cada uma iria experimentar essas mudanças de forma diferente. E o entendimento dependeria de como iria vivenciar sua experiência no corpo, e o corpo onde estavam. E que às vezes é escolha. Só que às vezes, não é.
Revendo conceitos e círculos
Atualmente, reconheço alguns erros que cometi, sempre tomei muito cuidado em algumas questões. Nunca, nunca usei de figuras de deusas especificas de panteão algum. Se as mulheres fossem escolher alguma figura, que fosse por conta própria. Porque de jeito nenhum eu queria configurar uma linguagem religiosa. Nunca quis influenciar a experiência que cada uma iria ter. Nunca terapeutizei os grupos. Nunca ditei vestimentas. As vezes pedia pra ir de saia quando usava nos grupos algum exercício especifico ligados à bacia, pernas, assoalho pélvico, etc. Nunca falava sobre sexualidade de um ponto de vista heteronormativo, ou pelo menos me policiava muito para não cometer esse erro.
Mais ou menos na mesma época que entrei no mestrado de Ciências da Religião pela PUC/SP, fiz uma das primeiras grandes revisões, depois de outras menores, no então “Clã dos Ciclos Sagrados”. Abrir esse ‘círculo’ para além do convívio físico. Por que eu tinha sacado que a maioria que estava nesse movimento eram grandes-pseudxs-detentorxs de grande conhecimentos inacessíveis e, a não ser que você pagasse uma quantia razoável por isso, você ficaria pairando em encontros curtos e públicos com quase nada de explicações do que era aquilo, afinal.
Iniciadas nas altas montanhas, sacerdotisas, esvoaçantes, vestidas com roupas purpurinadas à lá deusas gregas eram fadas que tratavam quase sempre as mulheres frequentadoras como crianças inábeis e muito longe de serem mulheres, realmente. Claro, afinal, havia uma produção de dependência em um nível quase “Gran-Sacerdotisas’ e/ou “Guruas-nas-artes-de-se-tornar-mulher’. Em sua grande maioria estavam mesmo preocupadxs na ‘disputa-dxs-melhores-focalizadorxs-das-galáxias’. Confesso que me vi presa nessa trama de disputa por algum momento.
Foi aí que abri o “Círculo de Visões Femininas”. Eu achava mesmo que estava sendo inclusiva ao dizer isso. Achava que ao orientar mulheres de todos os lugares do Brasil, e depois do mundo, de forma gratuita a formar seus próprios círculos de mulheres do jeito que elas achassem melhor fazer/ter a experiência, eu estava abrindo a possibilidade desse ‘movimento de círculos de mulheres’ sair dos centros urbanos, classe média, branca, tornando-o totalmente público e gratuito. Essa era minha real intenção. Mas ledo engano, porque se a única ferramenta que eu tinha para fazer isso era a internet, nem preciso explicar que não foi bem assim.
Rede de mulheres ou religião?
O que nos ligava era uma forma básica de se encontrar, e acontecia sempre no mesmo dia, e quando possível, na mesma hora. Todos os círculos ao mesmo tempo. No blog que criei para essa proposta, todo mês antes do dia do encontro eu escrevia uma espécie de editorial onde abordava os acontecimentos do mês ligados à saúde sexual, segurança e direitos das mulheres negras, brancas e índias. Tinha intenção implícita, por que eu as vezes não dizia, que elas pudessem falar e debater sobre esses e outros assuntos com autonomia e protagonismo. Além, claro, de experimentar a oportunidade ao estarem ali, de fazer uma pausa no corre-corre da vida e refletirem sobre ….qualquer coisa.
Foi, sem dúvida alguma, uma experiência interessantíssima. Enriquecedora. Durou três anos. Agradeço, claro a todas as que embarcaram essa experiência. Elas sabem disso, pois falei mais de uma vez. Eram mais de 20 círculos pela América do Sul e Europa. E eu estava mais do que nunca tão chafurdada no mestrado quanto no ‘movimento de círculos de mulheres’.
E, até ali, teria conseguido manter a proposta longe nas mentes mais ‘interesseiras’ em se autopromover. Todos os dias chegavam e-mail de terapeutas, psicólogas, sacerdotisas de todas as espécies. E, sinceramente eu só liberava (fazer parte da rede) para aquelas mulheres que, de preferencia, não sabiam nada sobre esses ‘tais círculos de mulheres’. E para quem não tinham aquelas duzentas iniciações das quais as “gran-focalizadoras-das-galáxias’ tinham. Mas claro, tudo tomou grandes proporções e aí…..
Bom, aí, um belo dia me dei conta que tudo estava mais configurado como uma ‘espécie de religião’. Muito embora, eu pessoalmente estivesse cada vez mais longe dessa possibilidade. Mas as então mulheres que organizavam os círculos por esse mundão à fora, em sua grande maioria, estavam ligadas à gurus, à doutrinas, à panteões, etc, etc….Isso sem falar que no contexto geral (Brasil e mundo) do ‘movimento círculo de mulheres’ muitas coisas que sempre me incomodaram estavam (e estão) cada vez mais dominantes.
Como, por exemplo, o essencialismo extremado que pretende doutrinar os modos, os corpos e resgatar as mulheres. Estava instaurado e legitimado uma imagem da mulher que necessita sob todas as coisas ser ‘feminina’. Que precisa re-construir a ‘feminilidade’. E nesse pacote tem uma conduta, modos, trejeitos, roupas, cabelos e palavras-chaves. Tudo misturado a muito moralismo. Isso sem contar que, lamentavelmente, pairava de uma forma velada a exclusão das mulheres cissexuais lésbicas dos círculos. E, recentemente, fiquei sabendo que esse padrão atingiu limites surreais. Nos círculos de mulheres dos EUA algumas ‘focalizadoras’ famosas resolveram dizer que mulheres trans* não entram, quando estas demonstraram intereresse em participar, tudo regado a muitas barbaridades vociferadas pela internet.
Cai doente quando me dei conta que 80% do que era tudo aquilo nem de longe me representava. E que na verdade eu estava me desgastando tentando de muitas formas dizer: “ei, cuidado com seu preconceito. Cuidado com o que você escreve, cuidado com o que você prolifera. Isso é um patriarcado de saia”. Mas para a grande maioria que olhava de fora, eu estava nesse meio. Não poderia continuar. Precisava sair.

Foto de naturalturn no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
Mas e a feminilidade, a quem pertence?
Organizei estrategicamente a finalização de todos os grupos e a minha saída. Demorei quase seis meses pra isso. E, claro, o mais complicado foi a finalização do “Círculo Sagrado de Visões Femininas”, a rede de círculos. E se a proposta era a liberdade de escolha das mulheres, ela assim se fez. Pronto, elas estavam cada uma por si. E, lóoogico, se elas quisessem poderiam se organizar de modo a formar uma nova rede. Mas muitas continuam por aí com os círculos. E posso dizer que algumas tem feitos revisitações da proposta e de si mesmo, bem interessantes.
Mas voltando ao nosso questionamento: era essa a proposta inicial desse resgate simbólico de ancestralidade? E (d) essa (construção de) feminilidade? Quem pode falar dela? Quem tem autoridade para usar? Só as mulheres que tem útero? E quem não tem e é mulher, precisa dela (feminilidade) igualmente? Ou quem é mulher e não tem útero nunca chegará a ser – Feminina?
Por que diabos a humanidade leva tudo para o caráter religioso doutrinário? Bom, e tudo bem se for, mas, e se, pode ser religioso/espiritual, e o “resgate do sagrado feminino” é conceitual, porque não tomar para exemplo (também) alguns deuses e deusas que mitologicamente TRANSitavam entre gêneros?
E desse ponto de vista podemos dizer que respeitar os ritmos e sua cadencia tem a ver com os indivíduos e não exatamente com homens e mulheres, somente. E se o movimento “círculo de mulheres” e “sagrado feminino” prevê a quebra da dicotomia da subordinação ao capital/patriarcado/massificação por que normatizar? E, principalmente, por que algumas pessoas veem nesse momento uma chance insuportável de controlar as outras pessoas? Por que mesmo usando um discurso que prevê a autonomia das mulheres, outras mulheres e homens se acham no direito à subjugação e manipulação? Por que as pessoas tem tanto medo da diversidade? E precisam para se proteger, normatizar e tornar as coisas, animais e pessoas previsíveis?
Por que precisa-se “resgatar” tanto as mulheres? Me dei conta disso um dia fazendo um texto em que ia citar isso. Se por tanto tempo se precisa resgatar as mulheres, quando elas chegarão a ser? Ora se é pra elas serem protagonistas da própria história, elas não precisam ser salvas/resgatadas, elas são as próprias heroínas de si mesmas. Sim, claro, eu sei que muito precisa ser feito para que as mulheres tenham seu protagonismo reconhecido, mas é isso, elas já tem, não seria reafirmar que “elas AINDA não tem” lançando tantos workshops de resgate, cura e purificação?
Eu ainda não tenho essas respostas.
A única certeza que tenho até aqui é que, todxs, sem exceção, tem direito à dignidade, liberdade e um pouco de poesia, e podem experimentar isso da melhor maneira que puderem. Mas olhar em volta e reconhecer os próprios privilégios em que se está inseridx ajuda muito.

domingo, 13 de maio de 2012

A história de luta e ativismo por traz do DIA das Mães

Já ouviram falar de Julia Ward Howe?

Ela um dia gritou: Dia das Mães....da PAZ!

:E proclamou que, em levante, elas, as mães de filhos que perdiam nomes e vidas nas guerras, teriam vozes femininas lembrando suas histórias breves.

Ela queria um dia das mães. Mães que tinham em suas vozes ativistas, a PAZ.

Esse dia foi originalmente iniciado após a Guerra Civil americana, como forma de protesto para a carnificina da guerra, por mulheres que perderam seus filhos.

Em 1872, Juulia Ward Howe, autora do "Hino de Batalha da República", propôs um dia anual das Mães para a Paz. Ela e outras mulheres comprometeram-se a suprimir a guerra, e, então Howe escreveu: "Nossos maridos não devem vir até nós fedendo a carnificina ... Nossos filhos não devem ser tirado de nós e desaprender tudo o que tenhamos sido capazes de ensiná-los, por misericórdia, caridade e paciência. Nós, mulheres de um país também não devemos permitir que outros países permitam que nossos filhos sejam treinados para ferir o deles."(1)


Eis aqui o poema proclamado e como voz de convocação, original:

Arise, then, women of this day! Arise all women who have hearts,

whether our baptism be that of water or of fears!
Say firmly: "We will not have great questions decided byirrelevant agencies. Our husbands shall not come to us, reekingwith carnage, for caresses and applause. Our sons shall not betaken from us to unlearn all that we have been able to teachthem of charity, mercy and patience.We women of one country will be too tender of those of anothercountry to allow our sons to be trained to injure theirs. Fromthe bosom of the devastated earth a voice goes up with our own.It says "Disarm, Disarm! The sword of murder is not the balanceof justice."Blood does not wipe our dishonor nor violence indicate possession.As men have often forsaken the plow and the anvil at the summonsof war, let women now leave all that may be left of home for agreat and earnest day of counsel. Let them meet first, as women,to bewail and commemorate the dead.Let them then solemnly take counsel with each other as to themeans whereby the great human family can live in peace, eachbearing after their own time the sacred impress, not of Caesar,but of God.In the name of womanhood and of humanity, I earnestly ask that ageneral congress of women without limit of nationality may beappointed and held at some place deemed most convenient and atthe earliest period consistent with its objects, to promote thealliance of the different nationalities, the amicable settlementof international questions, the great and general interests of peace.
Julia Ward Howe
Boston 1970

Na época, muitas mulheres de classe média no século 19, tinham certeza da missão que poderiam cumprir como mães reais ou potenciais da América para transformar a nação em lugar "mais civilizado". Suas ações moveram o movimento abolicionista para acabar de vez com a escravidão. Lutaram também para melhores condições de trabalho para as mulheres e de proteção para as crianças, serviços públicos de saúde e assistência social aos pobres. Ou seja, feminismo brotando dos corações das mulheres que transformaram sua dor de perda em algo muito maior para uma sociedade em transformação.

Em 1913 o Congresso declarou o segundo domingo de maio como o Mother Days.

Bom, aí, não é difícil de imaginar como chegamos aqui a esse pobre dia das mães.

Acho importante lembrar para que não percamos de vista a história de nossas sensibilidades. Aquelas paixões que movem a humanidade para movimentos de transformação para dias melhores.

Deixo vocês com um vídeo em que representa a palavra viva de Julia Ward Howe.



Bom domingo a todas e todos.


(1) tradução livre do trecho do poema.






quinta-feira, 26 de abril de 2012

A velha roupa suja do preconceito

Há mais ou menos uns 20 dias circulava pelas redes sociais uma imagem com uma mensagem pra lá de preconceituosa. Mas era daquelas de alguém que reproduzia a fala que ouviu falar. Bem coisa do preconceito que ganha pernas, mas sem cabeça, né mesmo. 
Bom, pois bem, eis aqui a imagem e as palavras: 



Se você quer que sua casa fique brilhando, tenha uma empregada PITTA, são perfeccionistas; se você quer alguém que cuide das crianças, faça bolo no fim do dia e fique contigo nos próximos 40 anos, tenha uma empregada KAPHA; agora se quer que seus objetos NUNCA sejam encontrados no mesmo lugar e sempre chegue atrasada, tenha uma empregada VATA...mas se tu for muito Pitta não terás empregada porque vai dizer que ninguém faz melhor que ti...



E daí, que se acha que são as religiões institucionalizadas, como os Catolicismos, os neopenteconstalismo e outras fundamentalistas as únicas a reforçar abitrariedades contra os direitos humanos e/ou promovendo e reforçando as diferenças de classe e divisão sexual do trabalho, além de preconceitos e racismos. 


CHOCK de MOSTRO quando o galerê adeptos aos misticismos, Nova era, Yoguis e usuários/terapeutas de terapias complementares como Ayurveda, medicina Tradicional Chinesa, etc saem por aí com discursos conservadores, preconceituosos, misóginos com um show de hipocrisia. Fazem isso quando usam por ex. as filosofias orientais de manutenção da saúde para reforçar seus velhos padrões de classe média. Tipo: 'sou super espiritualizada e respeito a natureza, mas não abro mão da 'minha empregada doméstica' e nem da babá.


E aí galerê do YOGA e do AYURVEDA que ficou divulgando essa imagem com 3 mulheres e empregadas domésticas e os bio-tipos (kapha, pita e vata) do Ayurveda. Se liga, só: isso se chama preconceito de classe. E no ayurveda significa que depois de lançados os dados vocês tem que voltar algumas casas para ter certeza se o que vocês aprenderam foi mesmo ayurveda. Porque meus carxs, país que tem tantas empregadas domésticas a ponto de classifica-las para escolherem a que melhor atende suas necessidades burguesas, é país em que a distribuição de renda é muito desigual. Sinto muito informar, mas se não rever seus conceitos, nem adianta que não vai iluminar.

Bom, daí que não adianta subverter o discurso se não o fizer ao pensamento. Sinto muito, mas me parece a velha roupa suja da hipocrisia.

Mas como acredito que as pessoas tendem mais a estar perto da humanidade, ai vai uma dica para rever os conceitos. 





E além disso recomendo o ótimo post da SrtaBia que é do ano passado, mas continua totalmente atual Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas e nele mostra que a realidade do trabalho doméstico no Brasil mesmo com os direitos possivelmente garantidos é fruto de um Brasil de herança colonial, portanto, essas trabalhadoras reforçam a cara da pobreza brasileira: mulher e negra. 





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